
Ex-prefeito de São Luís confirma candidatura ao Palácio dos Leões, apresenta chapa com Elaine Carneiro e reúne nomes que prometem dar musculatura à disputa de 2026
A eleição para o Governo do Maranhão ganhou, nesta segunda-feira (3), um de seus capítulos mais importantes. O PSD realizou, em São Luís, sua convenção estadual e oficializou Eduardo Braide como candidato ao Palácio dos Leões nas eleições de outubro.
O evento, realizado no Centro de Convenções Sebrae, consolidou aquilo que vinha sendo desenhado nos últimos meses: Braide deixa definitivamente o campo das pré-candidaturas e passa a disputar oficialmente o comando do Estado.
Mais do que uma formalidade partidária, a convenção funcionou como demonstração de força política e como uma espécie de largada oficial para uma eleição que promete ser uma das mais disputadas da história recente do Maranhão.
CHAPA GANHA FORMATO DEFINITIVO
Ao lado de Braide, o PSD oficializou Elaine Carneiro como candidata a vice-governadora.
Empresária de Imperatriz e integrante do grupo Pneu Brasil, Elaine foi escolhida ainda durante a fase de pré-campanha. A composição tem importância estratégica porque coloca na chapa uma representante da Região Tocantina, uma área considerada fundamental para qualquer projeto político que pretenda alcançar o Palácio dos Leões.
A chapa também chega à disputa acompanhada de nomes que ampliam o raio de atuação política do grupo. Para o Senado, foram oficializados André Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo).
A composição revela uma estratégia clara: reunir diferentes forças políticas em torno de um projeto eleitoral capaz de ultrapassar os limites da capital.
BRAIDE TENTA LEVAR O “MODELO SÃO LUÍS” PARA O MARANHÃO
O principal discurso político de Braide durante a convenção foi a tentativa de transformar sua experiência administrativa em São Luís em argumento eleitoral para o restante do Maranhão.
O candidato afirmou que os partidos que integram a aliança podem ser diferentes, mas estariam unidos pelo objetivo de levar ao Estado a transformação que, segundo ele, foi realizada na capital.
Essa será, provavelmente, uma das principais marcas da campanha.
Braide tentará convencer o eleitorado de que os resultados apresentados durante sua passagem pela Prefeitura de São Luís podem ser reproduzidos em escala estadual.
É uma estratégia eleitoral poderosa, mas que também abre espaço para uma cobrança inevitável: o que funcionou em São Luís poderá realmente ser aplicado a um Estado com 217 municípios, realidades econômicas diferentes e enormes desigualdades regionais?
Essa deverá ser uma das perguntas centrais da campanha.
UMA CANDIDATURA QUE INCOMODA O GRUPO GOVERNISTA
A oficialização de Braide altera definitivamente o equilíbrio da disputa.
O Maranhão já possui outros nomes competitivos no tabuleiro, entre eles Orleans Brandão, candidato apoiado pelo grupo governista, e Felipe Camarão, que teve sua candidatura oficializada pelo PT.
Com isso, a eleição deixa de ser uma sucessão de movimentos de bastidores e começa a assumir contornos mais definidos.
Braide se apresenta como uma candidatura de oposição e busca ocupar o espaço de alternativa ao grupo que controla politicamente o Estado há anos.
O desafio será transformar a força conquistada em São Luís em uma votação consistente no interior.
O GRANDE DESAFIO: SAIR DA CAPITAL
É justamente nesse ponto que estará uma das maiores incógnitas da candidatura.
Braide conseguiu uma votação expressiva em São Luís e possui forte reconhecimento político na capital. Entretanto, eleição para governador exige uma estrutura muito mais ampla.
São 217 municípios, diferentes regiões, lideranças locais, prefeitos, vereadores e grupos políticos que possuem influência direta sobre seus respectivos eleitorados.
A escolha de Elaine Carneiro para vice, com origem em Imperatriz, sinaliza que o grupo compreende essa necessidade.
A questão agora é saber se a candidatura conseguirá transformar esse movimento em uma estrutura efetivamente estadual.
PESQUISAS AUMENTAM A PRESSÃO SOBRE BRAIDE
Outro fator que aumenta a responsabilidade sobre o candidato é o desempenho apresentado nas pesquisas eleitorais divulgadas ao longo de 2026.
Levantamentos anteriores à convenção apontaram Braide em posição de destaque na corrida pelo Governo do Maranhão. O próprio PSD tem apresentado o ex-prefeito de São Luís como líder nas pesquisas.
Mas liderança em pesquisa não significa eleição ganha.
Pelo contrário: quanto maior a vantagem apresentada por um candidato no início da campanha, maior tende a ser a pressão dos adversários para desconstruir sua imagem, questionar sua gestão e reduzir sua vantagem.
É justamente a partir de agora que Braide passa a ser, oficialmente, um dos principais alvos dos ataques eleitorais.
A DISPUTA PROMETE SER ACIRRADA
A convenção do PSD acontece em um momento em que o tabuleiro eleitoral maranhense está praticamente montado.
De um lado, Braide tenta apresentar-se como alternativa de mudança e aposta na popularidade construída em São Luís.
Do outro, o grupo governista trabalhará para defender seu espaço político e mostrar que possui força suficiente para manter o comando do Estado.
No campo da esquerda, Felipe Camarão tenta consolidar sua candidatura e conquistar espaço em uma eleição que poderá ser marcada por uma forte disputa pelo eleitorado de centro.
E ainda existe a presença de Lahesio Bonfim, que mantém um eleitorado próprio e pode desempenhar papel importante na definição dos rumos da eleição.
A PERGUNTA QUE FICA
A convenção desta segunda-feira oficializou Braide, mas também abriu uma pergunta que somente a campanha poderá responder:
Eduardo Braide conseguirá transformar a força eleitoral de São Luís em uma maioria suficiente para conquistar o Maranhão?
Essa é a grande incógnita.
O candidato começa a disputa com visibilidade, estrutura política e uma chapa definida. Também carrega o peso de ter sido prefeito da capital e de ter vencido a eleição municipal de 2024 com ampla votação.
Agora, porém, o jogo é outro.
O eleitorado é maior, as demandas são diferentes e os adversários terão meses para atacar seus pontos fracos e apresentar suas próprias alternativas.
A partir de agora, portanto, não existe mais pré-campanha.
A corrida pelo Palácio dos Leões começou oficialmente para Eduardo Braide.
E o Maranhão entra, definitivamente, no clima de uma eleição que promete ser marcada por disputas, alianças, pesquisas, confrontos e muita movimentação política até outubro.
A convenção do PSD não foi apenas a confirmação de uma candidatura. Foi o primeiro grande teste de mobilização de um projeto que pretende sair da capital e conquistar o Estado.
Se Braide conseguirá transformar o discurso de “mudança” em votos no interior, será a grande questão dos próximos meses.
Uma coisa, porém, já está definida: o candidato do PSD entrou oficialmente no jogo — e agora seus adversários terão de enfrentá-lo nas urnas.