A indefinição do governador Carlos Brandão (PSB) sobre permanecer no comando do Palácio dos Leões ou renunciar para disputar o Senado Federal começa a ultrapassar o campo da estratégia política e entra no terreno da irresponsabilidade institucional. Com o calendário eleitoral de 2026 se aproximando, o Maranhão segue refém de um governo que evita assumir publicamente qual caminho pretende seguir.
Pela legislação eleitoral, Brandão precisará deixar o cargo até abril de 2026 caso queira concorrer ao Senado. No entanto, mesmo a pouco mais de um ano desse prazo, o governador insiste em alimentar o silêncio, travando articulações, paralisando decisões e criando um ambiente de incerteza dentro e fora do governo.
Indefinição que paralisa o Estado
A dúvida sobre o futuro político de Brandão não é apenas uma questão pessoal. Ela impacta diretamente a administração pública, o planejamento de médio prazo e a própria sucessão estadual. Secretários, aliados e prefeitos vivem hoje à espera de um sinal que nunca vem: Brandão fica ou sai?
Esse vácuo de comando enfraquece o governo, gera disputas internas e compromete a construção de um projeto claro para o Maranhão. A gestão passa a operar em modo de espera, enquanto a população continua cobrando respostas para problemas concretos nas áreas de saúde, infraestrutura e segurança.
Felipe Camarão no limbo político
Caso Brandão opte por disputar o Senado, o vice-governador Felipe Camarão (PT) assumiria o governo e ganharia protagonismo natural na sucessão estadual. No entanto, ao postergar a decisão, Brandão mantém Camarão em um limbo político, sem saber se será apenas coadjuvante ou protagonista do processo eleitoral.
Esse jogo de empurra desgasta alianças, gera ruídos dentro da base governista e passa a impressão de que o futuro do Estado está sendo tratado como moeda de troca em negociações de bastidores.
Cálculo eleitoral acima do interesse público
Nos corredores do poder, a leitura é clara: o governador tenta ganhar tempo, esperando pesquisas, movimentos da oposição e o cenário nacional se definirem antes de bater o martelo. O problema é que esse cálculo excessivo coloca o interesse eleitoral acima da estabilidade política e administrativa do Maranhão.
Enquanto Brandão hesita, adversários avançam, a oposição se organiza e o governo perde o controle da narrativa política.
O tempo acabou
A estratégia do silêncio, que já foi eficiente no passado, começa a mostrar sinais de esgotamento. Governar também é decidir — e decidir no tempo certo. Ao evitar uma posição clara, Brandão transfere o custo da sua hesitação para o Estado inteiro.
O Maranhão não pode esperar indefinidamente por uma decisão que é pessoal, mas cujas consequências são coletivas. O tempo acabou. Ou governa com foco até o fim, ou assume de vez o projeto eleitoral e deixa o cargo.
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